Bom, não tinha mais nenhum título sobrando para falar do Michael Jackson. E tudo bem que a música do RHCP fala sobre um cachorro, mas convém ao caso, sem (quase) nenhum desrespeito intencional.
Não, nem tenho nada novo pra dizer sobre o que significou a carreira do cara, sua morte e etceteras. Se você ainda quer ler sobre isso, recomendo esse texto da Slate, que me remeteu a esse vídeo do Jarvis Cocker, do Pulp, interrompendo a apresentação de “Earth Song” no Brit Awards de 1996:
Diz o Jarvis que foi um protesto contra o messianismo do Michael Jackson, que se não me engano abençoava um rabino durante a performance, cercado de um coro de crianças (ahem). “Earth Song”, faz sentido pra um marciano.
Mas nem é disso que eu ia falar, a princípio. Ontem passou no SBT o grande e largamente inexplicável Moonwalker, espécie de filme promocional do disco Bad lançado em 88. Não tem nenhum grande plot, é uma sequência de curtas-videoclipes, um mais nonsense que o outro. Tipos, depois de uma refilmagem do clipe de “Bad” (aquele do metrô) feita só com crianças (ahem), o Michael-criança passa por uma fumaça e vira Michael-adulto de novo. Aí ele é perseguido por fãs e jornalistas de massinha, e para fugir se transforma em um coelho (pois é) e sai andando de moto ao som de “Speed Demon”. Juro:
Aí, umas lengalengas depois, Jacko está brincando no parque com crianças (ahem), entre elas o Sean Lennon, parece, quando o cachorro dele foge atrás da bola. Todos entram numa caverna e lá encontram o Mr. Big (não aquele, nem o do Sex & The City, mas sim o Joe Pesci), um gângster que quer viciar o mundo em drogas, começando pelas crianças (ahem). Enfim, daí pra frente a gente descobre que o Michael na verdade era um gângster mágico, que tira seu poder de estrelas cadentes e pode se transformar em carro, robô e nave espacial. Tudo isso pra salvar uma criancinha loira (ahem) das mãos do Mr. Big.
Bem, por incrível que pareça, esse samba do ex-crioulo-doido virou um jogo de videogame, que foi razoavelmente popular no Brasil lá no comecinho dos anos 90, e esse é o ponto que eu queria chegar. O nome oficial é Michael Jackson’s Moonwalker, e eu jogava a versão do Mega Drive, que comparada aos Shinobi e Golden Axe da época era horrível, mas tinha seu charme:
Tem também o jogo todo no YouTube, pra quem está MUITO saudoso mesmo. Mas observando esse trecho, dá pra ter uma ideia de como o axioma “Michael Jackson é esquisito” se instalou de forma perene nas psiquês indefesas da juventude que jogava isso:
- Saem brilhos das mãos e pés dele;
- Mesmo em 16 bits, dá pra notar que o chutinho xoxo do MJ nunca derrubaria um gângster;
- Quando uma mulher agarra o Michael, você tem que bater nela;
- As criança (porque era sempre a mesma) dão um gritinho “Michael!” que nunca mais sai da memória;
- Depois de resgatar as criança da fase, um CHIMPANZÉ aparece do nada e aponta pra que lado ir;
- Quando se sobe no piano, as teclas fazem barulho (eu achava isso muito moderno);
- Todo mundo dança e morre na sequência. E estamos na primeira fase.
Pesquisando agora para esse post eu descobri duas coisas interessantes: a primeira é que quem é creditado pelo design do jogo é o próprio Michael Jackson Jacko Wacko himself. A segunda, que eu não sei se é de conhecimento geral, é que existia uma versão em arcade muito mais foda do jogo.

Dance, motherfucker!
E pra melhorar ainda mais eu encontrei um site com gifs animados, screenshots e um texto muito engraçado sobre todas as fases do game. Alguém lembra de ter jogado esse arcade nos fliperamas daqui?

Zoou procês, roxinhos
Caraio, deu vontade até de procurar o ROM desse jogo pra baixar (deve passar em cinco minutos). A bizarrice segue em curso, com o movimento de dança que faz todo mundo explodir, raios azuis saindo da mão do Michael, crianças largadas por todo canto numa caverna (ahem) e um traficante de drogas que tem um robô-aranha como arma principal. No fim, diferente do filme, The Gloved One se transforma em uma nave e parte para o espaço, para nunca mais voltar. [PS: oh céus, achei um vídeo com o jogo todo]
Redunda dizer isso para a música, mas os games também mostram que Michael Jackson, muy provavelmente, não era desse planeta. Que tenha uma boa jornada de volta pra casa.

Just beat it!
PS: Porra, esqueci do principal nesse post. “O” gif animado do Michael, e um dos melhores já feitos, na minha humilde opinião. Salve e espalhe por aí, porque imortalidade é pra poucos:

Tam. original: 
Tags: game, gif animado, michael jackson, moonwalker
27/06/2009 às 15:01 |
texto foda, sai óbvio e fala até coisas ahmm… relevantes(?)
rs
27/06/2009 às 15:14 |
huauaauuah MEDO o.O
tá praticamente um estudo de caso sobre o filme/jogo. =P
27/06/2009 às 17:59 |
auehuaehaeuehaeua que jogo tosco, não lembrava disso o.o
28/06/2009 às 02:47 |
Putz, eu adorava o jogo pra Mega Drive!
E também adorava esse filme… a cena do Smooth Criminal é muito clássica, principalmente aquela hora que ele se inclina pra frente… SEM CAIR!!! SEM – CAIR!!!!! Mas… mas… ué, como… como ele consegue… mas…
Cara, aquilo era demais!!
Ei, longa vida nova ao blog.
01/07/2009 às 20:05 |
Hahaha, valeu pela paciência, Branca!
28/06/2009 às 17:33 |
“gângster mágico, que tira seu poder de estrelas cadentes”… adorei! onde eu tava nessa época pra nunca ter jogado isto?
01/07/2009 às 20:03 |
Aposto que jogando nintendo, tsc tsc
02/07/2009 às 12:36 |
[...] Todo mundo estava errado. No que tange o universo Michael Jackson, os mistérios perdurarão para todo o sempre, meus caros, e estarão incrustrados em todo e qualquer caso que envolva seu nome. Recomendo inclusive esse post do Gustavo sobre os elementos altamente esquisitos presentes no MJ pra…. [...]
02/07/2009 às 14:53 |
Poxa, esse blog que linkou pra cá é bem legal
02/07/2009 às 16:27 |
[...] Death of a martian – do blog Missing Punchline [...]
06/07/2009 às 10:59 |
Nunca reparei pq eu não cheguei a jogar moonwalker…mas vou mostrar esse post pro meu namorado q é muuuito fan desse filme/jogo. o.o
Parabéns pelo post! o/
:*
09/07/2009 às 21:56 |
Muito show o post cara!
Dá um passada la no meu blog!