Meu novo aniversário

É isso aí, a partir de hoje, podem me dar parabéns também em 20 de abril.

É, jão. Aqui é ZONA SUL. IBIRAPUERA

Ontem, umas 11 da noite, é seguro dizer que eu e minha namorada nascemos de novo. Estávamos voltando de táxi da pré-estreia de “Brasília: A Construção de um Sonho” (que, aproveitando a ocasião, fui eu q fiz o roteiro e passa hj no Discovery Channel) quando passamos pela frente do Parque do Ibirapuera, caminho que já fizemos trocentas vezes em todos os horários.

O taxista era um tipo meio estranho, como costumam ser os taxistas da noite quando não ficam completamente calados. Ele odiava feriados, futebol, carnaval e sua sogra (a dele), mais ou menos nessa ordem. Mas gostava de “rap francês, marroquino, árabe, reggaeton, afrobeat, tudo isso”. Desde a 9 de Julho ele vinha mostrando mp3 sortidos que me pareciam todos iguais, uma dance music meio churrasca com vocal feminino e masculino revezado. A Thaís não estava nada interessada no papo, mais preocupada com os faróis que ele vinha atravessando.

Aí de repente PLAU. Um barulho que era e não era de rojão, escapamento estourando, meio que vindo da direita. Olhei, vi um cara de capacete correndo em direção a uma moto, esticou o braço e saiu uma faísca. “Caralho, era tiro!”, falei sem muita convicção. “Era?” “Acho que era. Vi uns motoqueiros atirando nos outros.”

Beleza. Subimos a Sena Madureira falando aquelas coisas tipo “gente que perigo”. Aí a Thaís olha pra trás.

– O que é isso aqui?

Eu olho, é um cogumelinho de metal. “É uma bala”, pensei, mas depois pensei que não podia ser uma bala, soltinha ali no apoio de trás do carro, como se estivesse lá faz uma semana.

– Acho que não é nãPORRA TÁ QUENTE É UMA BALA

O taxista não acredita. Não ouvimos vidro quebrar, nem nada. O meu estava aberto dois dedos, ela teria que ter feito uma curva ou caído do céu. Mas era uma bala, sim senhor. Começamos a passar a mão no corpo, por instinto de ver filmes, acho, procurando algum buraco de onde estivesse escorrendo sangue. Aí eu vi:

WTF WTF WTF

Mano. Caras dando tiros na porta do Ibirapuera. A 50 metros. Um táxi em movimento. A bala passou a UM PALMO da minha cabeça. Acertou no ÚNICO lugar do carro em que não ia machucar ninguém. Por um caralhésimo não foi a pior noite da nossa vida.

O taxista voltou lá pra devolver a bala e até apareceu na TV. Passou hoje cedo. No fim era um policial reagindo a um assalto, um dos ladrões morreu, provavelmente o que eu vi atirando. Algo me diz que nunca mais vamos ouvir falar dessas balas.

Na hora, sequer me ocorreu de tirar fotos, avisar alguém de plantão (a Thaís pensou nisso). Se um dia fui, não sou mais jornalista mesmo, cientificamente provado.

Eu só ficava pensando na magnífica seqüência de eventos que tinha colocado a gente lá, um palmo à frente da bala. Um casal para quem demos direção pegou o táxi na frente do nosso; eu tinha dito pra ir pela Juscelino, o cara quis ir pela João Cachoeira, tava trânsito e eu falei pra pegar a Brasil; cheguei mesmo a pensar em falar pro cara andar um pouco mais devagar segundos antes. Já pensou, morrer ouvindo poperô marroquino?

No fim, a vida é essa seqüência de eventos tão detalhada e imprevisível que não me admira alguém acreditar mais em força divina do que em probabilidades. A gente tentou tirar isso da cabeça por um tempo, assistir a algum filme em que ninguém atirasse em ninguém, mas foi inútil. Demos uma última checada pelo corpo (vai saber), nos abraçamos e fomos dormir, agradecendo pela sorte.

Ainda está por terminar

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24 Respostas to “Meu novo aniversário”

  1. Ignácio Says:

    Putz, no fim tudo acabou virando uma bela história, total happy end, muito bem narrado. Parábéns, pelo texto e… pelo seu aniversário – nascimento.

    • Gustavo Falso Says:

      Total happy end eu não diria, por conta da menina do ônibus (na matéria da Globo). Mas parece que ela vai ficar bem, pelo menos

      • Ignácio Says:

        Ah sim, se levarmos em consideração as demais histórias, que se misturaram de alguma maneira à sua, diríamos que o final foi feliz para alguns e infeliz para outros, como tudo na vida, onde o ideal de justiça, parece, não se coaduna com a realidade. Agora… o seu happy end está no “simples” fato de que vc vai poder contá-lo aos seus netos (se vc quiser ter netos, se não, conte pros netos dos outros que tá limpo!)

  2. Brancatelli Says:

    Olha as coisas que precisam acontecer pra vc atualizar o blog, cara!!

    Mas falando sério, bom saber que está tudo bem com vcs.
    Claro, apesar do susto e do poperô marroquino.

    Feliz segundo aniversário!!! \o/

  3. Giselle Says:

    Que bom que vocês não sofreram nada e que a garota do ônibus não morreu, pelo menos. Não era hora, ainda bem!

  4. andrezza Says:

    puts, tenso ._.

    ontem eu botei foto na minha cozinha e quase morri também, sei como você se sente, auheuheaueahau

    quanto à menina que engoliu a bala, fiquei chocada com como tinha gente no ônibus pedindo pro motorista seguir, WTF.

    enfim, mundo cão, como diria minha mãe, good luck us all

  5. andrezza Says:

    *botei fogo, HAHA

  6. Etel Says:

    Ainda bem que foi só Quase. E quem lembra de ser jornalista quando leva um susto desses?
    ainda bem que vcs estão bem.

  7. Marianna Says:

    Fazendo aniversário de novo, você vai ter dois no ano. Ou seja, sua idade vai duplicar a partir de agora. Pense nisso.

  8. flaviadurante Says:

    nossa, TENSO! q bom q tudo está bem com vcs. foda é q a gente fica meio noinha depois de um susto desses, mas logo passa! 😉 beijoss

  9. Moskito Says:

    Banda ruim, merecia.

  10. babilopes Says:

    E o taxista chama Noia?!!!!

  11. Fabio Says:

    Olha, pode ser só uma suspeita, mas tenho quase certeza que quem atirou foi alguém puto com o spam que vocês mandam, viu?

  12. Virginia Ambrus Says:

    Caramba, que bom que agora está tudo bem.
    🙂

  13. Mariana Says:

    Nossa , fiquei nervosa só de ler isso.
    que bom que ta tudo bem. 😉

  14. Rock 'n' Beats » O renascimento de Gustavo Martins, do Ecos Falsos Says:

    […] relatos do próprio Gustavo em seu blog: “A bala passou a UM PALMO da minha cabeça. Acertou no ÚNICO lugar do carro em que não ia […]

  15. Clarah Says:

    Caralho, Gustavo, putaqueopariu! Não dá pra não pensar que isso foi por muito pouco e tem um dedo de Deus aí.
    Cara, todas as probabilidades de ter acontecido algo com vocês é incrível. Poderia ter pego na cabeça de vocês pela altura que a bala entrou…

    Nossa, feliz que nada aconteceu!
    E porra, o sobrenome do cara é Nóia? Isso ele já era só pelo gosto musical! Ou foi ato falho da pessoa da Globo, haha.

    Não morre, pelo amor!
    Beijo :*

  16. Ian. Says:

    Acácio Noia – o melhor nome.

    363 desaniversários agora. parabéns.

  17. Ecos Falsos Encerra Atividades - RockinPress  Says:

    […] Pessoalmente os conheci pela primeira vez num show na finada casa Cinemathèque, em Botafogo,  onde comprei a última unidade conhecida na história do primeiro EP da banda, o simpático A Última Palavra em Fashion (aquele que continha a épica “Anna Júlia” dos Falsos, chamada de “Speed Porco”). O Gustavo (guitarrista) tinha uma coluna de um post só neste mesmo RockInPress que você está lendo e coincidência ou não, a foto que eu uso no meu msn atualmente sou eu tocando o Ukulele do Daniel Akashi. Eu estava assistindo o Jô quando o Guga falou sobre sua monografia baseada em rimas e o Ecos Falsos tocaram pela primeira vez o hit-pop-indie-underground “Spam do Amor”. Você lembra quando o Gustavo quase tomou um tiro em frente ao Ibirapuera? […]

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