Lembranças de viagem – Frankfurt (out/08)

Me lembra tanto Joinville...

Me lembra tanto Joinville...

Eu gosto muito de viajar, mas não sei se sou um bom turista. Quero dizer, eu gosto de ver pontos turísticos, conhecer a cidade e tralalá, mas não tenho saco de tirar fotos. É algo parecido ao que acontece em shows: toda vez que levanto a câmera tenho que parar de olhar para o que está acontecendo, e a iminência de que você não vai ver aquilo de novo torna o ato um tanto brochante.

Por outro lado, as fotos são muito mais eficientes que a minha memória. Pegando o exemplo da viagem que recentemente para Frankfurt e Berlim, por exemplo: tirando o que eu fotografei, não consigo me lembrar de quase nada. E isso porque a viagem foi em outubro passado… Para não acontecer como meu colegial e faculdade, dos quais eu devo ter só umas cinco fotos e nada mais me lembro, tenho tentado mudar esse hábito.

Os aviões deixam esse rastro lá

Os aviões deixam esse rastro lá, é o frio, parece

Batendo o olho nas fotos que fiz da viagem para Frankfurt, eu consigo pelo menos fazer uma narrativa mínima do que aconteceu. Fui pra cobrir a Feira do Livro da cidade, o maior encontro editorial de negócios do mundo, que acontece durante cinco dias na Frankfurt Messe – um complexo de eventos que é pelo menos cinco vezes o tamanho do Anhembi (aka Super Casas Bahia), em São Paulo.

Antes de chegar, fiz uma escala no aeroporto de Madri (via Ibéria, né, a mais barata), que é imenso e funciona meio como bingo, você tem que esperar um placar eletrônico decidir qual vai ser seu portão de embarque. Os espanhóis me deixaram com uma péssima impressão de má-vontade no atendimento, mas enfim, foi muito rápido para maiores conjecturas.

À primeira vista, Frankfurt é uma cidade bem sem graça, como qualquer cidade americana mais arrumadinha, com pouca gente na rua e nada em particular que chame a atenção. (Neste momento eu deveria dizer “mas quando se olha com mais cuidado, a cidade tem isso e aquilo e blablabla”, mas não, só deu tempo de ter essa primeira vista mesmo.) O sistema de transporte público é maravilhoso, os bondes não têm cobrador mas todo mundo compra o bilhete (eventualmente o cobrador pode estar escondido no vagão), as ruas são tranqüilas, o metrô vai pra todo lugar… Bem, todo mundo já teve um amigo que foi pra Europa.

Pit-stop na calçada

Pit-stop na calçada

Uma das coisas curiosas é que há coelhos demais. Em qualquer praça, vários deles. E existem várias vendinhas que são só uma janela, para se comprar bebida e tomar na rua mesmo (taí uma grande diferença para os norte-americanos). Os restaurantes são bonzinhos, com milhares de variações de pratos com batata, mas caros – recomendo a estratégia de abusar no café do hotel e fazer uma refeição por dia, sobrevive e emagrece.

Outra coisa pitoresca, para mim, pelo menos: as casas são numeradas por ordem (tem a 1, depois a 2, depois a 3), não por distância. Parece banal, mas faz diferença. Principalmente se você descobre que está na rua do seu destino, no número 3, e ele é no 170. E já é depois da meia-noite, sem táxi nem bonde rolando. Imagine: as casas alemãs não são casinhas, são sempre uns terrenos consideráveis, com uns dez metros de frente. Multiplica por 170, mais as ruas no meio…

O lugar onde eu estava indo era a festa do Paulo Coelho (mais um coelho, tão vendo), um open bar bancado pela Mercedez Benz em homenagem aos 100 milhões de livros vendidos pelo mago no mundo. A “100 Million Party” foi em uma fábrica abandonada que, segundo alguns espanhóis que ouvi no bonde depois, era “o que pegava” em Frankfurt, mas nem lembro o nome para indicar, sorry. Eu fui lá convidado pelo próprio homenageado, depois de termos feito uma entrevista na própria feira, na qual ele fez o discurso de abertura. Mico? Claro que não. Bebi de graça e nem tive que cantar “Esperando na Janela” pra isso.

Galerë style mt fitness

Galerë style mt fitness

A Feira de Frankfurt mesmo só abre para o público nos dois últimos dias, e como em todo lugar que atraia nerds, fica cheia de cosplayers. Eu costumava achar que cosplay era um bando de panaca vestindo fantasias toscas de desenho animado, mas, fui informado depois, esse é o “cospobre”. Cosplay exige capricho, uma certa grana pras fantasias e um ar de “você quer rir de mim e eu não ligo”. O povo lá capricha – não quero dizer que fica bom, mas capricha.

Sobre a feira em si, tem tantas opções de livros e quadrinhos que eu nem me arrisco a citar nada, simplesmente todas as editoras que importam do mundo vão pra lá – obviamente não com o catálogo completo, mas com seus lançamentos mais legais. No fim é tanta coisa que, correndo pra lá e pra cá (eu vi o Gorbachev!), não deu pra prestar atenção em quase nada. Eu vi isso:

A traquitana do momento, isso eu pude reparar, eram os e-readers, tipo o Kindle da Amazon, um aparelho com uma tela especial que não cansa a vista no qual se pode baixar qualquer livro. Parece ilógico em um evento desses, acho que a maioria dos editores não gostaria de ver seu trabalho reduzido a um arquivinho mequetrefe que é espalhado pela internet, mas bem, as gravadoras também pensavam assim e olha só que glória. O que ainda salva a pele das

Não faz orelha, pelo menos

Não faz orelha, pelo menos

editoras é que os e-readers (veja funcionando aqui) são piores de segurar, não reproduzem imagens, não podem molhar (não que livros possam…) e nem servem pra sentar em cima quando se é muito baixinho para a cadeira do barbeiro. Mas faz sentido para livros científicos e técnicos, por exemplo, que ficam desatualizados facilmente e você precisa ter sempre a última versão. O fato é que todo mundo lá está torcendo (a favor ou contra, na maioria dos casos) por um “efeito iPod”, algum aparelhinho maroto que, com uma campanha style o suficiente, conquiste os corações e mentes dos jovens a ponto de nascer um mercado.

Enfim, eu fiquei em Frankfurt por cinco dias em outubro de 2008. Por uma sorte/azar de overbooking, consegui mais dois dias nessa viagem para ir até Berlim. Mas esse post já ficou gigante, tento lembrar disso outra hora.

Álbum de fotos de Frankfurt

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9 Respostas to “Lembranças de viagem – Frankfurt (out/08)”

  1. Brancatelli Says:

    Bom, acho que sou um péssimo turista em todos os aspectos…!
    Preciso ser incentivado, empurrado, arrastado e finalmente subornado (ou chantageado) para visitar pontos históricos, lugares famosos e tudo mais.
    Lembro que fui pra Nova York com meu irmão e minha maior empolgação era ver pontos famosos das histórias em quadrinhos e dos filmes do Woody Allen! Hahahaha

    Aliás, pelo post, a sua memória é muuuito melhor que a minha.
    Tenho dificuldades de narrar o que aconteceu ontem!
    Preciso de uma câmera fotografica…

    Bjo nas crianças…
    O blog ta bem bacana!

  2. Gabriela Says:

    Woa, sua memória é boa sim. A não ser que você tenha tantos causos mais pra contar e esqueceu de postar aqui. =P

    Eu não sei se é pra ficar com medo, mas eu reconheci mais da metade dos cosplays do pessoal dessas fotos,,, o.O

    • Gustavo Falso Says:

      Pior que eu acho que tinha mais coisa… Quer dizer, sempre tem, né, mas se eu não tirei foto, dificilmente vou lembrar. Um japonês, praticamente!

      E olha, acho que você tá sabendo demais de cosplay, hahaha, eu teria medo!

  3. andrezza Says:

    “É algo parecido ao que acontece em shows: toda vez que levanto a câmera tenho que parar de olhar para o que está acontecendo, e a iminência de que você não vai ver aquilo de novo torna o ato um tanto brochante.”

    finalmente, alguém me entende. parar de ver o show pra ficar tirando foto e gravando? come on ¬¬

    fico puta com isso! se for pra ir a shows pra tirar foto abra logo uma agência fotográfica u.u

    mas enquanto as pessoas não se ligam, eu continuo me aproveitando de sua boa vontade passando horas no youtube, que eu não sou otária, UHAEUAHEUAH.

    • Gustavo Falso Says:

      Hahahaha, falou tudo! Mas eu acho que podiam começar a vender ingressos pra um setor “sem câmeras”, daí a gente não ia ter que ficar olhando aqueles panacas de celular levantado!

  4. andrezza Says:

    é, em são paulo, maybe –‘

    sem contar que, pra quem tá tocando, deve ser muito chato olhar pra platéia e só ver câmera ¬¬

  5. Paula Says:

    é, eu, como sou praticamente irmã da Dori, sem fotos consigo me lembrar de pouca coisa (aliás, pouca coisa é eufemismo). isso é triste especialmente pq, por exemplo, do metropolitan quase não guardo lembranças. e esse comentário acaba de dedurar que tipo de turista eu sou, uma museum freak! rs

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